A arara azul grande se impõe na natureza não apenas por sua plumagem azul-cobalto, mas por um porte físico que pode ultrapassar um metro de comprimento. Embora seja a espécie mais numerosa entre as araras azuis, ela divide a categoria com outras três variantes que enfrentam realidades biológicas distintas. A ararinha azul, a menor de todas, é considerada extinta na natureza, sobrevivendo apenas em cativeiro. Já a arara azul de Lear apresenta tons mais claros, tendendo ao azul esverdeado, e embora tenha enfrentado riscos severos de extinção, demonstra atualmente uma tendência de crescimento populacional. Em contrapartida, a arara azul pequena é oficialmente extinta, tendo seu último exemplar registrado em Londres no ano de 1992.
Exclusiva da América do Sul, a ave habita regiões do Brasil, Bolívia e Paraguai, com forte concentração na região do Pantanal. Visualmente, a espécie é marcada pelas penas azuladas e por uma coloração amarela distinta ao redor dos olhos e na parte inferior do bico. Esse bico, extremamente forte, é a ferramenta essencial para a sobrevivência do animal, permitindo que ele quebre sementes de palmeiras, que constituem a base de sua alimentação. A dinâmica alimentar ocorre em grupos, onde a segurança é priorizada por meio de um sistema de vigilância constante. Enquanto o bando se alimenta, um indivíduo permanece atento a possíveis ameaças, utilizando um grito de alerta para sinalizar a necessidade de fuga imediata de todos os demais.
O comportamento social da arara azul é pautado pela sociabilidade, sendo raro encontrar indivíduos solitários, já que preferem viver em pares ou bandos que se reúnem em locais de alimentação e dormitórios. No campo reprodutivo, a espécie adota a monogamia, formando casais que permanecem unidos por toda a vida. Apesar de a reprodução ocorrer anualmente, a taxa de sucesso é baixa. Geralmente, são depositados dois ovos, mas a pressão de predadores naturais faz com que, na maioria das vezes, apenas um filhote consiga atingir a fase adulta.
Atualmente, a classificação de vulnerabilidade da espécie reflete a pressão exercida por fatores humanos e ambientais. A redução populacional é atribuída diretamente à caça predatória e ao comércio ilegal de animais. No entanto, a destruição do habitat natural surge como um dos fatores mais críticos para a espécie. O avanço do desenvolvimento agropecuário e a expansão urbana desordenada não ameaçam apenas a sobrevivência da arara azul, mas comprometem a integridade de todo o ecossistema onde a ave está inserida.