Dogue Alemão: a origem da raça e o custo biológico do seu tamanho

calendar_month 24 de June de 2026 folder Cachorros

O Dogue Alemão é frequentemente chamado de o Apolo dos cães, um título que reflete sua elegância e porte imponente, mas que esconde a complexidade de uma raça moldada por necessidades funcionais e, posteriormente, por vaidades sociais. Classificado como um molosso dentro do grupo de cães de guarda e utilidade, a raça foi apresentada formalmente em 1863, fruto de cruzamentos entre mastinos e galgos. Originalmente, esses animais eram mais compactos e fortes, desempenhando a função prática de caçar javalis. Com o tempo, a influência do Irish Wolfhound elevou a estatura da raça, transformando o cão de caça em um símbolo de status para proprietários que buscavam a maior dimensão possível em um animal de estimação.

Essa busca por altura resultou em exemplares extraordinários, com registros que chegam a um metro e doze centímetros de cernelha, embora a média costume orbitar os noventa centímetros. No entanto, a magnitude física cobra um preço biológico severo, manifestando-se em uma longevidade reduzida. Enquanto raças pequenas podem atingir os vinte anos, a expectativa de vida do Dogue Alemão gira em torno de apenas oito anos, evidenciando uma relação inversamente proporcional entre o porte do animal e sua sobrevivência.

A diversidade cromática da raça é ampla, abrangendo cores como preto, alequim, dourado, tigrado, azul e mantado. No âmbito da cinofilia, especificamente sob as normas da FCI, essas variedades são julgadas como raças distintas em exposições. Essa separação rigorosa visa evitar acasalamentos errôneos que resultariam em cães com cores inconsistentes, impedindo, por exemplo, que um exemplar dourado seja cruzado com um alequim. Essa gestão genética é muito mais rígida no Dogue Alemão do que em outras raças de grande porte, onde a variedade de cores costuma ser aceita sem a necessidade de divisões tão drásticas nos campeonatos de estrutura.

Quanto ao temperamento, o Dogue Alemão é caracterizado por um equilíbrio social, sendo apto a conviver com crianças e famílias. Embora possua um instinto de guarda e proteção que se manifesta através do latido e da imposição do tamanho, a agressividade não é um traço inerente à raça, sendo considerada um distúrbio comportamental indesejável. Diferente de raças selecionadas para a bravura, como o Rottweiler, o Dogue Alemão deve ser sociável, embora sua massa corporal torne qualquer sinal de agressividade um risco considerável, o que exige atenção redobrada no manejo.

A manutenção de um animal desse porte exige consciência sobre limitações físicas e financeiras. Problemas articulares e de estrutura óssea são as ocorrências mais comuns, embora a displasia coxo-femoral não apresente uma incidência tão alta quanto em outros molossos, sendo mais frequentes as questões de cotovelo e aprumos fracos. Além disso, o proprietário deve estar preparado para o alto consumo de ração, já que os cães podem pesar entre sessenta e oitenta quilos, e para a característica fisiológica da salivação excessiva, comum à raça.

No que diz respeito ao ambiente, a crença de que apenas grandes propriedades são adequadas é questionável. O fator determinante não é a metragem quadrada da residência, mas a disponibilidade de tempo do tutor para proporcionar caminhadas e exercícios. O confinamento em canis, mesmo em chácaras, é contraindicado. É fundamental, contudo, que exercícios intensos sejam evitados durante a fase de filhote para não comprometer a estrutura óssea do animal. No mercado, um filhote de boa procedência e linhagem cuidada custa em torno de quatro mil reais, valor que reflete os custos de manutenção de um criador sério, alertando-se para os riscos de adquirir animais excessivamente baratos.