O Spitz Alemão Anão, popularmente conhecido como Lulu da Pomerânia, é frequentemente reduzido a um acessório estético devido ao seu tamanho reduzido, mas a realidade da raça envolve características biológicas e comportamentais complexas. De origem alemã, este cão apresenta um padrão físico rigoroso, devendo medir entre 18 e 22 centímetros de altura na cernelha, que é a região entre o pescoço e as costas, com um peso que oscila entre 2 e 4 quilos. É fundamental desconfiar de criadores que promovam versões mini, pois a raça não deve ter menos de 18 centímetros. Outro ponto crítico é a transição da pelagem, já que filhotes de cor laranja costumam nascer cinzas e passam por uma troca de pelos aos quatro meses, atingindo a coloração definitiva apenas entre um ano e meio e dois anos de idade.
A natureza do Lulu da Pomerânia é moldada por sua ancestralidade como um cão primitivo, grupo que inclui raças como o Akita, Shiba, Husky Siberiano e Malamute do Alasca. Essas raças compartilham características físicas como pelos densos, focinhos e orelhas pontudos e caudas volumosas que repousam sobre as costas. Por serem descendentes de cães que migraram para regiões árticas e se cruzaram com lobos há milhares de anos, possuem instintos muito fortes, o que torna a educação um desafio. A obediência requer liderança e firmeza do tutor, pois a tendência natural da raça é ser distante com estranhos, mantendo uma lealdade quase idolátrica ao dono, embora possam desenvolver reatividade com pessoas e objetos. Apesar disso, são vigilantes eficientes, pois não costumam latir sem motivo real.
No aspecto cognitivo e histórico, a raça demonstra uma inteligência considerável, ocupando a vigésima terceira posição em rankings de expertise, o que facilita o aprendizado, apesar de serem frequentemente temerosos. A resiliência da raça é ilustrada por fatos históricos curiosos, como a sobrevivência de um exemplar no naufrágio do Titanic, que foi resgatado em um bote salva-vidas por Margaret Hayes. Além disso, o Spitz Alemão Anão é conhecido por sua longevidade, podendo viver até 16 anos. No Brasil, a raça goza de alta popularidade, ocupando a segunda posição entre os vinte cães mais procurados, sendo também a escolha de figuras públicas como Paris Hilton e a egípcia Cleópatra.
A função primordial do Lulu da Pomerânia é a companhia, o que implica uma dependência emocional significativa. Por ter sido criado exclusivamente para conviver com humanos, o animal não tolera bem a solidão e pode desenvolver crises de ansiedade de separação se deixado sozinho por longos períodos. Essa necessidade de proximidade é acompanhada por uma exigência rigorosa de manutenção estética. O cão possui duas camadas de pelo que conferem maciez, mas exigem escovação diária para minimizar a queda. Embora tosas específicas, como a que tornou famoso o cão chamado Boo, sejam populares, elas não fazem parte do padrão oficial da raça, sendo aceitáveis apenas para animais que não participam de exposições.
Por fim, a saúde do Spitz Alemão Anão requer atenção a vulnerabilidades genéticas comuns a cães de raça. O proprietário deve estar atento a problemas oculares, luxação de patela, colapso de traqueia, além de alergias e problemas dentais. A combinação de instintos primitivos, alta demanda de cuidados com a pelagem e predisposições clínicas faz com que a raça seja muito mais do que um animal pequeno e fofo, exigindo um tutor consciente e preparado para lidar com as complexidades de um cão com herança lupina.